Outro dia me vi em uma discussão muito interessante sobre o uso ou não de software livre. É uma discussão quase religiosa, que quase sempre acaba em insultos pessoais.
Na verdade, o assunto começou quando uma pessoa me perguntou sobre a última versão de um aplicativo de escritório (2010) e eu disse que não conhecia. Ele perguntou: não baixou? E, ao invés de responder à mesma lenga-lenga que eu digo sempre (que eu sou contra a pirataria etc), simplesmente disse que prefiro o BrOffice.org, que é livre.
Bastou isto para começar uma discussão febril sobre as vantagens e desvantagens do uso de software livre. Por pouco não saiu porrada! Do editor de textos a briga partiu para o sistema operacional, aumentando a temperatura cada vez mais.
Conforme eu já mencionei em vários textos, eu não sou XIITA (aliás, XIITA é a MAACACA DO TAARZAN!) Eu apenas gosto de ter a liberdade de escolha. Simples assim.
Houve um tempo no qual havia muita liberdade, pois tínhamos: Lotus-1-2-3, Word Perfect, Quattro-Pro, Turbo Pascal, dBASE III etc. Depois, como várias destas empresas foram decaíndo, só nos restaram os produtos da Microsoft, empresa que muito respeito e admiro.
O motivo é que estes produtos eram fornecidos por empresas privadas que, no mundo frenético do capitalismo selvagem, foram sendo fechadas, adquiridas ou mudaram sua linha de produtos. Seja como for, nos deixaram órfãos.
Com o sucesso do Linux, outros softwares livres começaram a despontar e arrebatar usuários. Assim, hoje em dia, é perfeitamente possível ser feliz sem usar um único produto fornecido pela Microsoft. Por exemplo, eu uso Linux Ubuntu, BrOffice, Firefox e não quero saber de outra coisa. Mas, se você usa Microsoft Windows, Microsoft Office e Microsoft Internet Explorer, tudo bem! Pelo menos nós tivemos a liberdade de escolher.
É esta a grande vantagem do software livre: nos dar a liberdade de escolha. É claro que podemos ter essa liberdade com o Mac, da Apple. Mas, ao invés de dois sistemas operacionais, podemos escolher entre três: MS Windows, Mac OS e Linux! Que beleza!
O que o movimento do software livre vem fazendo é exatamente aumentar a nossa liberdade de escolha. Há algum tempo, a discussão que motivou este artigo seria impossível, pois o Linux era apenas coisa de "nerds" e não havia alternativa saudável ao Microsoft Office.
Hoje, até mesmo pessoas de fora da área de TI optam pelo uso de software livre. Fui dar um laptop de presente para a minha esposa e ela só fez uma única restrição: tem que rodar Linux! O motivo? Pega menos virus e dá menos problemas. Tudo bem, esta é a opinião dela como usuária.
Agora, imagine um mundo onde os cavaleiros do direito autoral tenham total domínio. Imagine se eles conseguissem "cassar" o Linux e o BrOffice (cara, o Direito foi criado pelo Demo! Nunca o subestime!) Você teria duas opções: vai comprar o MS Office à vista ou parcelado?
A única liberdade que não temos é a de usar programas protegidos por direitos autorais, sem remunerar o detentor destes direitos, pois isto é crime. Você não precisa piratear! Tente rodar um Linux com Live CD e veja que você tem escolha!
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