Outro dia, estava em meu carro querendo entrar à esquerda. Olhei pelo retrovisor e vi que havia um outro carro, à minha esquerda, um pouco mais atrás. Com a seta ligada, coloquei o braço para fora e fiz um sinal de “ok”, pedindo passagem. A senhora que estava dirigindo, acelerou só para não me deixar entrar, me fazendo perder a rua. O pior é que ela parou alguns metros mais a frente, para entrar em sua garagem.
São fatos como esse que mostram claramente o egoísmo da maioria das pessoas... Esse egoísmo destrutivo, que nada acrescenta a quem pratica. Muitas vezes, a pessoa egoísta nem sempre “se toca” que está prejudicando o próximo.
Depois do fato que narrei, imediatamente começou a tocar a música do Supertramp, que me deu a ideia de escrever este artigo. Há nela alguns versos muito bonitos: “Give a little bit / I'll give a little bit of my love to you / There's so much that we need to share / Send a smile and show you care...”, que me lembraram a importância dos pequenos atos de generosidade desapegada, que, muitas vezes deixamos de fazer, por exemplo:
-Dar passagem, de vez em quando;
-Sorrir para um bebê;
-Deixar uma senhora sentar-se no seu lugar;
-Cumprimentar o Porteiro;
-Pedir licença para passar por entre as pessoas;
-Lembrar que os outros também existem;
É a velha história dos limites, ou seja, o seu direito acaba onde começa o do próximo.
No ambiente de trabalho também acontecem essas “leviandades”, que acabam corroendo a convivência pacífica entre colegas de trabalho. Por exemplo:
-Falando alto, especialmente ao telefone;
-Contando piadas ou falando palavrões;
-Deixando de dar atenção quando um colega está falando com você;
-Não respeitando o espaço dos outros, seja físico ou profissional;
Como sou gerente de projetos, pude observar o mal que essas atitudes egoístas causam ao trabalho, gerando discórdia e desconfiança entre colegas.
Ao mesmo tempo, vejo pessoas dando moedas para aqueles garotos que ficam fazendo malabarismo no sinal, ou então dando dinheiro para aquelas mulheres que ficam mendigando com bebês na rua. Talvez pensem que estão “limpando a sua barra”. Mas, na verdade, não estão ajudando, pois lugar de criança é na escola, e não jogando bolinhas para o alto nos sinais, e o ato de dar dinheiro só incentiva essa prática. E, quanto ao caso das mulheres esmolando com bebês, será que são filhos delas mesmo? E não seria melhor deixar o bebê em casa, pegando uma lavagem de roupa? Sempre dá para fazer alguma outra coisa. Ao dar a esmola, você está incentivando que ela leve criança para a rua.
Não precisamos “morrer na cruz” para mudar o Mundo...
Certa vez, a Floresta estava pegando fogo. Todos os animais corriam para se salvar, exceto um pequeno passarinho, que, apressado, voava em direção ao fogo e voltava, repetindo esse trajeto muitas vezes. O Leão, vendo a atitude do passarinho, perguntou: “Por que você está fazendo isso? Você pode morrer!” Então, o passarinho respondeu: “Eu estou levando água para apagar o fogo!” E o Leão retrucou: “Mas você é só um e não vai conseguir apagá-lo!” E o passarinho disse: “Mas estou fazendo a minha parte!”
Podemos mudar o mundo, um pouquinho de cada vez. Para isto, é preciso vencer a inércia e começar a tomar atitudes pró-ativas, que visem evitar estes rompantes de egoísmo sem sentido. Não precisa ser algo muito altruísta, como no filme: “A Corrente do Bem”, mas se nos programarmos e seguirmos à risca algumas diretrizes, podemos ser menos egoístas e mesquinhos. Porém, não devemos esperar recompensa por isto, pois ela virá a longo prazo.
A ideia é que uma só pessoa pode influenciar todo um grupo, que pode, por sua vez, influenciar toda uma comunidade. Como fazer isto? Comece com metas atingíveis:
-Toda semana farei pelo menos um ato pelo próximo!
Tente dar o lugar a uma pessoa necessitada, ou deixar que alguém passe a sua frente... Algo simples assim. No trabalho, tente ser educado e atencioso, e menos FDP, pelo menos uma vez por semana.
Após algumas semanas, tente aumentar as “generosidades” para duas vezes por semana.
Uma vez a cada semestre, tente fazer algo mais grandioso, como arrumar um emprego para uma pessoa necessitada, ou comprar o material escolar para o filho de uma pessoa carente.
Como eu disse antes, você nada vai receber por essas atitudes. Mas vai influenciar os outros e, quem sabe, fazer a sua pequena parte para mudar o mundo.
E deixe de ser animal: ceda a vez ao outro motorista!
0 comentários:
Postar um comentário